Posts Tagged ‘psiquiatria’

Na entrevista abaixo, o psiquiatra José Outeiral, conferencista da III Jornada da Adolescência, fala um pouco sobre os assuntos que serão discutidos no evento. Temas como agressividade, anti-socialidade e delinquência em contextos sociais de risco, além da ligação desses sintomas à negligência familiar são um dos temas destacados pelo psiquiatra.

Entrevista com José Outeiral

Área: Psiquiatria

Graduado em medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2004, fez residência médica em Pediatria na  Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e tem especialização em Psiquiatria pela UFPR, em 2009. Desde abril de 2009 atua como psiquiatra na SERPIÁ e presta atendimento à crianças, adolescentes e adultos no Hospital Porto Seguro e na Clínica Saúde Integral.

Por Rosecler Alice da Silva

A psiquiatria é uma especialidade médica que tem como funções básicas o diagnóstico e o tratamento de doenças ou sintomas de origem psíquica. Mais do que atribuir um diagnóstico ou medicar, passa antes por questões como identificar fatores de risco ou proteção,  vulnerabilidades físicas, emocionais, genéticas e sociais, além, é claro, de estabelecer parâmetros científicos baseados em evidência para formular uma hipótese diagnóstica que é essencial para o norteamento do planejamento e tratamento clinico.

Todas essas informações a respeito do paciente são mais facilmente e mais fidedignamente colhidas e pensadas se ocorre uma troca entre os diversos profissionais que atendem essa pessoa. Isso é ainda mais verídico em psiquiatria da infância e adolescência, na qual o tratamento de crianças e adolescentes em sofrimento psíquico exige o envolvimento de diversos áreas. Na SERPIÁ podemos ter essa oportunidade de trocas  de experiências e visões de atendimento entre os profissionais. Além disso, contamos com outros colegas não envolvidos diretamente no caso para poder ajudar a pensar as estratégias de intervenção, devendo esses aspectos ser constantemente estimulados e praticados. Ambos aprendemos e o mais favorecido é o paciente instrumento de nossa atenção.

Considero o trabalho em equipe uma queda do modelo onde reina o narcismo e onitpotência do profissional que coloca adjetivos possessivos na pessoa que lhe procura (“MEU paciente!”) – postura que apenas encobre e atrapalha uma boa assistência. O trabalho multidisciplinar é permeado de  respeito, flexibilidade, aceitação, abertura e acima de tudo reconhecimento de que não existem verdades absolutas, mas sim vários caminhos  para ajudar os pacientes e familiares que chegam até nós.