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A semana da criança foi de muita festa na SERPIÁ. Em comemoração ao dia dos pequenos a instituição preparou uma programação especial, totalmente dedicada a eles. Foram dois dias de festa, em três expedientes: na tarde da quarta-feira (14) e manhã da sexta (16) a comemoração foi dedicada às crianças e na noite de quarta a diversão ficou por conta dos adolescentes.

Busca ao tesouro

Histórias dos sete mares, músicas e muita fantasia embalaram as festas das crianças. O tema escolhido para este ano, Piratas e busca ao tesouro, foi contagiante. “Nós escolhemos este tema porque ele sempre fascina as crianças”, explicou a coordenadora sócio-cultural da SERPIÁ Ingrid Cadore.

E fascinou mesmo. As crianças e a equipe da brinquedoteca caracterizaram-se e entraram no clima. Pelo pátio da SERPIÁ não era difícil encontrar o Capitão Gancho, o Jack Sparrow e tantos outros piratas ilustres que marcaram presença na festa.

Com seus lenços vermelhos amarrados à cabeça eles navegaram, exploraram ilhas e lutaram contra monstros na busca pelo tesouro. Para a coordenadora o momento mais marcante da festa foi quando as crianças ‘lutaram’ contra o monstro de balão e descobriram que o tesouro (balas e doces) estava escondido dentro dele. A pequena M.C.S. concorda: “Eu adorei; foi muito legal porque peguei bastante moeda (de chocolate)”, conta entusiasmada.

Os pais e acompanhantes das crianças também entraram na brincadeira. A educadora Maristela Henpel comenta ter gostado da proposta e ter visto a festa como um momento para as crianças relaxarem. “Já era para a gente ter ido embora, mas eu estou com dó de tirar ele da brincadeira”, disse a mãe Nanci Correia.

Ingrid lembra que as festas são atividades especiais onde os pacientes apresentam aspectos que não são demonstrados no cotidiano dos atendimentos. “Na festa eles mostram um lado mais criativo, mais infantil; além disso, é uma oportunidade de brincarem juntos, o que nem sempre acontece nos atendimentos”, comenta a educadora brinquedista Lídia Volpato.

A magia continua

A fantasia também esteve presente entre os adolescentes que participaram da festa realizada na noite de quarta-feira. Ao chegarem à instituição, os jovens foram convidados a se fantasiar – com roupas, máscaras, entre outros itens – para entrar no clima do Castelo assombrado, tema escolhido para essa festa.

Lídia comenta que a intenção era fazer uma festa que contemplasse a magia do escuro – devido ao fato de esta ser a primeira festa realizada no período noturno. Outra característica da comemoração, segundo a educadora brinquedista Ísis Romankiu, se refere à festa ter sido saudável. “Os adolescentes sabiam que a festa seria diferente das que eles frequentam normalmente, e mesmo assim querem estar aqui”, comenta.

Durante a noite os adolescentes e a equipe SERPIÀ dançaram, cantaram e se divertiram em meio a uma decoração especial, com direito à teia de aranha, iluminação com velas e muito mais. Na opinião do adolescente J.C., o melhor da festa foi a possibilidade de todos se divertirem juntos. “Todo mundo está curtindo. É um momento de integração, a gente encontra gente nova e revê pessoas que já conhece”, diz.

Para o psiquiatra Cláudio Costa Júnior, essa maior integração é incentivada pelo fato de a festa ser realizada num ambiente que os adolescentes conhecem, o que transmite uma segurança maior do ponto de vista da relação com o outro. “Mesmo sendo considerada como um evento social, a festa também tem um lado terapêutico presente”, complementa.

A jornada de estudos Considerações sobre a Função da Família na Contemporaneidade: “Mas, por que eu?”, realizada pela SERPIÁ nos dias 01 e 02 de outubro – com apoio do Conselho Regional de Medicina do Paraná e da Sanepar – reuniu profissionais, estudantes e demais interessados em discutir a temática da família na contemporaneidade.

Durante os dois dias do evento os cerca de 80 inscritos tiveram a oportunidade de participar de mesas, conferências, palestras e momentos culturais que contaram com a presença de profissionais de diversas áreas – psicologia, musicoterapia, direito, entre outras -, o que possibilitou uma discussão plural sobre o tema.

Para o estudante Carlos Esteves essa discussão a partir de diferentes perspectivas foi um dos pontos altos da jornada. A assistente social Karla Patrícia de Albuquerque considera que participar do evento proporcionou aos profissionais a revisão dos conceitos e estratégias que utilizam no trabalho diário com as famílias. “Foi uma oportunidade de refletir sobre a minha prática profissional e sobre o papel das famílias, o que acrescentou muito para mim. Se a gente não tira esse tempo para refletir cai, no automatismo”, comenta a psicóloga Tarine Cláudia de Jesus.

Segundo uma das coordenadoras do evento, Suely Poitevin, a jornada também possibilitou a abordagem de questões inquietantes, como a das famílias das crianças e adolescentes abrigados e a lei que obriga a curta permanência nos abrigos, assim como a transmissão das experiências obtidas no trabalho com as famílias na SERPIÁ.

“As discussões trouxeram muitos questionamentos e relatos de experiências. A ligação entre teoria e prática foi muito interessante, pois a faculdade não traz muito essa discussão prática”, comenta a estudante Thais Renata Miara.

Trabalho recompensado

Para a organizadora, o empenho e dedicação dispensados pela equipe na seleção dos temas, no convite dos palestrantes, e nos demais detalhes que envolveram a organização do evento foi recompensado. “Nós observamos que houve empenho, seriedade e esforço dos palestrantes em transmitir seus conhecimentos e participação e respeito ao evento por parte público”, comenta.

Segundo Suely, a primeira edição da jornada de famílias abriu espaço para maiores discussões sobre este tema complexo e polêmico e a oportunidade para cada pessoa se perguntar qual é o seu papel em relação à família. “Foi uma possibilidade de descruzarmos os braços e cada um fazer a sua parte neste desafio contemporâneo”, enfatiza.

O curso de Formação de Educadores Brinquedistas e Organização de Brinquedotecas, promovido pela SERPIÁ em parceria com a Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBri), já se tornou um evento tradicional no calendário julino de Curitiba. Neste ano, o encontro com o brincar aconteceu entre os dias 13 e 17 de julho, na Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional (Fepe).

A cada ano, o curso  vem se caracterizando por atrair diferentes públicos, por alcançar cidades cada vez mais distantes e nessa sexta edição não foi diferente. Pedagogas, psicólogas, estudantes, professores de educação física, advogados, vindos de várias cidades – como Curitiba, Irati, Jaraguá do Sul, Pontal do Paraná, Castro, Londrina, Santo Antonio da Platina – participaram das aulas.

Brincando e aprendendo

Durante os cinco dias de encontro, os 60 alunos, além de assistir às aulas, riram, fantasiaram, brincaram, enfim, voltaram a ser criança, mas sem deixar o aprendizado de lado. Apesar do clima de descontração e entusiasmo que envolvia participantes e professores, o objetivo de trocar conhecimentos não foi esquecido num só instante. “Os professores são muito abertos para passar o conhecimento; a gente troca experiências com eles e com os colegas, está sendo muito legal”, contou a psicóloga Cleusa Irigonhe.

Para cada aluno essa transferência teve um significado diferente. A auxiliar de classe Leonides Veloso comentou que participar do curso foi uma forma de aprimorar seus conhecimentos. “Eu já atuo na área, mas o curso me trouxe novas idéias e novos métodos de aproximação das crianças”, afirmou. Já o coordenador de lazer, Rafael Ramos, disse que a descoberta do que é ser um educador brinquedista e das possibilidades que o brincar oferece surpreenderam. “Eu nunca tive contato com o que é ser um educador brinquedista, não sabia que quem fazia a brinquedoteca era o brinquedista e não os brinquedos. Eu nasci de novo para o brincar”, contou entusiasmado.

No penúltimo dia de aula, alunos e professores já estavam com a sensação de que os dias tinham passado rápido demais. “Estou vendo que está acabando, vai ficar aquele gostinho de ‘quero mais’”, disse a pedagoga Sandra Weber. Mas todos eles, ao final do curso, saíram com uma bagagem que vão carregar para sempre, como contou a funcionária pública Cleide Steniski. “O curso fez com que eu vislumbrasse uma nova direção para o meu trabalho. Estou me sentindo uma brinquedista; vou sair daqui com uma riqueza bem grande e quero plantar essa semente”, afirmou.

Dever cumprido

A coordenadora do curso, Ingrid Cadore, comentou, baseada na avaliação feita pelos alunos, que a sexta edição do curso de educador brinquedista foi um sucesso. Segundo Ingrid, isso se deve a experiência acumulada ao longo dos anos e ao empenho dos professores, monitores e da equipe SERPIÁ, que se dedicaram para que tudo acontecesse da melhor forma possível.

Para a coordenadora, o momento lúdico que marcou essa edição foi o último dia de aula, o “Dia da Fantasia”. “Os alunos foram convidados a assistir às aulas caracterizados, as monitoras se fantasiaram no capricho e até o Tarso Cadore (o presidente da SERPIÁ, Hélio Cadore, interpretando o personagem) compareceu para brincar com a gente, fazendo com que todos dessem boas risadas”, lembrou.

curso de Formação de Educadores Brinquedistas e Organização de Brinquedotecas, promovido pela SERPIÀ em parceria com a Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBri), já se tornou um evento tradicional no calendário julino de Curitiba. Neste ano, o encontro com o brincar aconteceu entre os dias 13 e 17 de julho, na Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional (Fepe).

A cada ano, o curso  vem se caracterizando por atrair diferentes públicos, por alcançar cidades cada vez mais distantes e nessa sexta edição não foi diferente. Pedagogas, psicólogas, estudantes, professores de educação física, advogados, vindos de várias cidades – como Curitiba, Irati, Jaraguá do Sul, Pontal do Paraná, Castro, Londrina, Santo Antonio da Platina – participaram das aulas.

Brincando e aprendendo

Durante os cinco dias de encontro, os 60 alunos, além de assistir às aulas, riram, fantasiaram, brincaram, enfim, voltaram a ser criança, mas sem deixar o aprendizado de lado. Apesar do clima de descontração e entusiasmo que envolvia participantes e professores, o objetivo de trocar conhecimentos não foi esquecido num só instante. “Os professores são muito abertos para passar o conhecimento; a gente troca experiências com eles e com os colegas, está sendo muito legal”, contou a psicóloga Cleusa Irigonhe.

Para cada aluno essa transferência teve um significado diferente. A auxiliar de classe Leonides Veloso comentou que participar do curso foi uma forma de aprimorar seus conhecimentos. “Eu já atuo na área, mas o curso me trouxe novas idéias e novos métodos de aproximação das crianças”, afirmou. Já o coordenador de lazer, Rafael Ramos, disse que a descoberta do que é ser um educador brinquedista e das possibilidades que o brincar oferece surpreenderam. “Eu nunca tive contato com o que é ser um educador brinquedista, não sabia que quem fazia a brinquedoteca era o brinquedista e não os brinquedos. Eu nasci de novo para o brincar”, contou entusiasmado.

No penúltimo dia de aula, alunos e professores já estavam com a sensação de que os dias tinham passado rápido demais. “Estou vendo que está acabando, vai ficar aquele gostinho de ‘quero mais’”, disse a pedagoga Sandra Weber. Mas todos eles, ao final do curso, saíram com uma bagagem que vão carregar para sempre, como contou a funcionária pública Cleide Steniski. “O curso fez com que eu vislumbrasse uma nova direção para o meu trabalho. Estou me sentindo uma brinquedista; vou sair daqui com uma riqueza bem grande e quero plantar essa semente”, afirmou.

Dever cumprido

A coordenadora do curso, Ingrid Cadore, comentou, baseada na avaliação feita pelos alunos, que a sexta edição do curso de educador brinquedista foi um sucesso. Segundo Ingrid, isso se deve a experiência acumulada ao longo dos anos e ao empenho dos professores, monitores e da equipe SERPIÁ, que se dedicaram para que tudo acontecesse da melhor forma possível.

Para a coordenadora, o momento lúdico que marcou essa edição foi o último dia de aula, o “Dia da Fantasia”. “Os alunos foram convidados a assistir às aulas caracterizados, as monitoras se fantasiaram no capricho e até o Tarso Cadore (o presidente da SERPIÁ, Hélio Cadore, interpretando o personagem) compareceu para brincar com a gente, fazendo com que todos dessem boas risadas”, lembrou.

Por Ingrid Cadore

Ao sermos surpreendidos pela alteração da rotina doméstica com a presença das crianças em casa além do período de férias, nossa primeira reação costuma ser de perplexidade: “E  agora, o que eu faço?”

Passada a surpresa inicial, uma mudança de atitude dos adultos pode resultar num período de convívio feliz e de descobertas importantes. Por exemplo: ao termos que lidar com a falta, ou seja , com a impossibilidade de ir ao cinema, teatro , shopping e outras formas de lazer usual da família , podemos suscitar a criatividade e descobrir novas formas de entretenimento, “coisas que nos fazem bem”, e assim evidenciar que sempre podemos encontrar saídas para as dificuldades da vida.

Seguem algumas ideias lúdicas, para todas as idades, fáceis de se fazer em casa.

Jardinagem: Que tal semear agrião, rúcula, algumas flores e montar uma sementeira  ou um mini-jardim? Para isso é necessário somente reutilizar aqueles vasos de flores compradas. Faça uma camada de pedras e sobre ela coloque terra de jardim. Semeie e coloque uma camada fina de terra. Regue com moderação e deixe os vasos em local arejado e bem iluminado, cuidando para que o sol forte  não incida diretamente sobre o vaso. Para quem quiser sofisticar, existe uma ideia muito interessante de Mini-estufa nas lojas Tok & Stok, ao custo de R$ 24,00.

Pintura em gesso: uma visita a uma loja de artesanato pode vir a ser a descoberta de um passatempo novo. Essa ideia é uma contribuição do pequeno Giorgio, que visitou a Brinquedoteca da SERPIÁ recentemente para colaborar com uma reportagem da Rede Massa. Você pode comprar as peças, as tintas e pincéis e se entregar à criatividade.

Tricô: que tal tricotar um cachecol para o cachorrinho de estimação? Essa foi a ideia de Pia, irmã do Giorgio, que também colaborou na reportagem. A mamãe das crianças, Maria, nos informou que existem agulhas de tricô apropriadas para o manuseio de crianças, por serem de plástico, sem ponta, mais grossas e menores.

Culinária: Confeitar bolachas com glacê feito pelas crianças, decorá-las com balas de goma e as servir no chá das bonecas também pode se tornar um momento muito interessante.  As crianças adoram brincar com materiais ‘de verdade’, por exemplo, servir chá ‘de verdade’ em xícaras de bonecas ou fazer o lanche ‘ de verdade’ na companhia dos bichos de pelúcia e bonecas. Clique aqui para acessar a receita da bolacha caseira e do glacê.

Jogos feitos com sucatas: clique nos nomes para saber como construir e  jogar os jogos que você pode fazer em casa.

Pula Caçapa

Xadrez Africano

O Rato e o Gato

A coordenação da SERPIÁ decidiu, nessa segunda-feira (3), suspender os atendimentos clínicos pelas próximas duas semanas. A medida, tomada em apoio às escolas e demais instituições públicas que também suspenderam suas atividades, tem como objetivo auxiliar no combate  à disseminação do vírus H1N1, causador da Gripe A. Os atendimentos devem ser retomados no próximo dia 17 de agosto. As atividades administrativas serão realizadas normalmente.

Para celebrar a Páscoa desse ano, a SERPIÁ decidiu fazer uma semana especial na brinquedoteca. Ao invés de uma só festa, todos os expedientes foram marcados pela visita do Coelhinho. “A idéia é trabalhar a Páscoa como um tema lúdico através das brincadeiras”, explica a educadora brinquedista Lídia Volpato. A celebração da Páscoa começou na quinta-feira (2), e foi até a quarta-feira (8), último dia antes do feriado. Dessa maneira, todos os expedientes foram contemplados.

“A nossa proposta é criar um espaço de integração, já que temos pacientes, pais e educadores novos nesse começo de ano”, afirma Lídia. “Além disso, tentamos tentar entender também o que eles entendem por Páscoa”.

“A festa estava bem criativa, deu oportunidade para as crianças fazerem coisas que não podem fazer em casa”, conta Rosanda Camargo Araújo, mãe de um paciente da clínica. Para ela, esses momentos são importantes no tratamento de seu filho. “Em casa, somos só adultos. Aqui ele vivencia algo diferente”, afirma.

A importância das festas

A coordenadora sócio-cultural da SERPIÁ Ingrid Cadore ressalta que, dentro do plano terapêutico da instituição, as festas têm um papel importantíssimo. “Entre as diversas funções de uma festa está a inserção social”, explica. De acordo com Ingrid, muitos dos pacientes da clínica têm dificuldades de interagir socialmente, devido ao sofrimento psíquico, e esse espaço de inserção mediado por educadores brinquedistas pode trazer muitos avanços terapêuticos para esses pacientes. “Além disso, as festas permitem ludicidade e transmissão de afeto. Tudo o que é feito nesse sentido tem um fim terapêutico”, afirma.

O resgate do valor das celebrações também é considerado importante para a equipe da brinquedoteca da SERPIÁ. “As festas estão muito descaracterizadas, e os pacientes estão em contato com esse aspecto consumista”, explica Ingrid. “Esse resgate da ludicidade seria, portanto, é uma forma de não deixar os pacientes à mercê do consumo”.

Bolo mordido

Esse resgate da ludicidade e dos valores da Páscoa permeia muitas das atividades desenvolvidas, como, por exemplo, o bolo do coelhinho. Com o auxílio de educadores brinquedistas, pais e educadores sociais, as crianças de alguns expedientes prepararam um bolo para Coelhinho da Páscoa. “Assim favorecemos uma experiência onde as crianças, além de receber [os chocolates], também poderão oferecer algo”, conta Lídia.

Em um dos expedientes, o bolo apareceu mordido. “As crianças ficaram animadas, dizendo ‘o coelhinho mordeu o bolo, o coelhinho mordeu o bolo’”, conta a psicóloga Michele Gonçalves Vidal, voluntária da brinquedoteca. “Foi um momento bem marcante”.

Além disso, dentro da proposta estava ouvir o que as crianças queriam para a Páscoa. Portanto, as atividades seguiram em boa parte os pedidos das crianças. “Não é a quantidade de ovos de chocolate, mas emoção de ser co-autora de uma celebração que alegra as crianças”, explica Ingrid. Um grupo de pacientes, inclusive, fez um pedido bastante singelo: a mesma festa que tiveram na Páscoa passada. “Isso prova que a lembrança estava viva, as crianças quiseram ‘viver de novo’ como presente de Páscoa”, comenta.

Nesta quarta-feira (18), conselheiros, colaboradores e amigos da SERPIÁ se reuniram para discutir planos estratégicos para a sustentabilidade da instituição. O grupo, que vem se reunindo desde o dia 05, discutiu opções estratégicas para a geração de caixa, a imagem institucional e as parcerias institucionais da SERPIÁ. “Precisamos nos preocupar em tornar a SERPIÁ mais desejada, com vistas à sustentabilidade e à perenidade da instituição”, afirmou o presidente do conselho deliberativo Hélio Cadore.

O brain-storm de idéias feito na reunião anterior foi utilizado como base para o trabalho de elencar prioridades, a partir da metodologia “GUT” – gravidade, urgência e tendência. Todas as idéias foram dividias em ações urgentes, ações que precisam ser melhor pensadas e o que, por hora, pode ser descartado. Para Cadore, esse estabelecimento de prioridades é crucial para que o plano saia do papel. “Quanto mais se abraça, menos se aperta”, afirmou.

Entre os principais pontos estratégicos está a captação de recursos livres – isto é, recursos que não são oriundos de convênios ou parcerias a fundo perdido e que podem ser usados para a manutenção da estrutura física e da equipe administrativa da SERPIÁ. “Se pensarmos em atividades, em que a empresa não esteja simplesmente doando, mas comprando um serviço, isso facilita a captação”, explicou o diretor da Peróxidos do Brasil e contribuinte da SERPIÁ Teichum Hiramatsu.

A partir de agora, a idéia é poder desenvolver cada uma das ações priorizadas, através de grupos menores de trabalho, que são três: geração de caixa, imagem institucional e parcerias institucionais. O primeiro deve ficar responsável por buscar novos doadores, além de desenvolver projetos de prestação de serviço, ampliação de cursos e convênios com secretarias municipais, estaduais e ministérios federais. O grupo de imagem deve lidar com a elaboração do marketing institucional, da busca de patrocínios e do selo SERPIÁ. Por último, o grupo de parcerias institucionais deve buscar novos parceiros, nos três setores, para ajudarem a instituição seguir com sua missão de fazer de Curitiba e do Brasil um ambiente mais favorável para a saúde mental das crianças e adolescentes.

Nascida em Ponta Grossa, a psicóloga Maria Aparecida de Luna Pedrosa fez um longo percurso no campo da Psicanálise, participando de grupos de estudo. Na sua experiência acadêmica como professora do Curso de Psicologia da UFPR, criou o primeiro curso de especialização em Psicanálise e Clínica. Do mesmo, teve participação na fundação da Sociedade Paranaense de Medicina Psicossomática, experiência que adveio em razão do trabalho de médicos na área da Clinica Médica. Hoje é conselheira e foi uma das fundadoras da SERPIÁ. Neste ano, assumiu a Coordenação de Pesquisa e Transmissão de conhecimento e a vice-presidência da instituição.

Confira abaixo a entrevista com Maria Aparecida:

Como surgiu seu interesse pela psicanálise?

Uma história longa. Fui tomada por alguma coisa que mais tarde fui verificar que  dizia respeito ao homem e seu psiquismo, e o campo tratado pela Psicanálise pode dar lugar àquelas questões. Eu tinha naquela época treze anos de idade. Era 1964, período da ditadura militar, e tudo o que dizia respeito a criticas ao campo social e suas políticas era visto como de certo modo subversivo. Ao assistir uma aula de Organização Social, quando o  professor falava sobre a importância do trabalho e do trabalhador, das relações de trabalho, sobre as razões subjetivas do homem, me perguntava  sobre o que eram as motivações no homem, e o que eram os direitos do homem e do  trabalhador, e qual seria a verdadeira luta do homem para sua existência. Frente às questões o professor responde que havia questões de ordem política e outras muito particulares de cada individuo que o faziam agir. E ficou por aí. No dia seguinte, esse professor me encontrou no corredor e disse: vou te dar um presente, e entregou-me o livro “Encontro de Marx e Freud”, de Eric Fromm. Comecei a ler o livro, e jovem demais, imatura ainda. Fiquei, no entanto, encantada com as relações que Fromm apontava sobre a relação do homem com as suas satisfações. O que fazia e deixava de fazer. E como as circunstâncias do campo social, cultura e política contribuíam para as escolhas. Estas idéias ficaram meu mundo de fantasias na época, e a partir daí passei a procurar tudo o que se relacionava a psicologia.

E a partir daí, qual foi o trajeto?

Vendo meu interesse no campo da Psicologia e talvez  da Sociologia, me mudei para Curitiba, com a família, em 1968. O Curso de Psicologia estava sendo aberto e iniciado na então Faculdade Católica do Paraná, hoje PUC. E o curso de Ciências Sociais, na época, foi fechado em razão da ditadura militar. Fiz o Curso de Psicologia, compus a segunda turma de alunos. Durante o curso, sempre estive envolvida pelas questões trazidas pela psicanálise, psiquiatria, e li os primeiros textos de Freud nesse tempo. Minha formatura foi em 74. Janeiro de 1975 fiz concurso para a Reabilitação Profissional do INPS, fiquei nesse serviço até fins de 1978, quando entrei como professora na UFPR no curso de Psicologia. Desde 1975 me iniciei em grupos de estudo e supervisões com Di Loretto, psiquiatra e psicanalista de São Paulo, que trabalhava com diagnósticos em estudos de caso e tratamento de crianças e adolescentes. Em 76, ele começou a trazer psicoterapeutas para dar supervisão em psicoterapia com crianças e adolescentes. Todos eles, em processo de formação em São Paulo. Também freqüentava algumas aulas de Amélia Vasconcelos, responsável pela iniciação de muitos analistas da cidade, com vínculo à IPA. Em 77 chegou a Curitiba Antônio Godino Cabas que iniciou a abertura de grupos de estudo, onde aprofundei meu percurso sobre a obra de Freud e na seqüência textos de Lacan. Acompanhei estes grupos, segui os trabalhos nessa via por muitos anos, assim como tive breve passagem por grupo com colegas que hoje se formaram na IPA, inclusive participando da vinda do primeiro analista didata da IPA a Curitiba, dr. José de Oliveira Pereira com quem fiz minha análise didática. Segui, no entanto, as trilhas deixadas por Lacan, sem deixar jamais os ensinamentos de Freud.

De quais projetos você estava participando antes da formação da SERPIÁ?

Sempre estive envolvida em projetos de criação de cursos e serviços em Curitiba. Por exemplo: o primeiro serviço de Psicologia Hospitalar do Pequeno Príncipe foi se desenvolvendo a partir de algumas supervisões ao grupo que constitui este serviço em Curitiba e que hoje dirige o Instituto Pequeno Príncipe, grupo que respeito imensamente. Participei com outros colegas da elaboração do primeiro curso sobre gestão prisional, a convite do Ministério da Justiça, na UFPR. Assim como tive breve participação com idéias primeiramente na SERPIÁ que se instalou no Hospital Dom Alberto, e na seqüência separando-se. Acompanhei a fundação da ONG SERPIÁ, ao lado de Maria Carolina Serafim. Em todos os investimentos de formação e aperfeiçoamento profissional, estive atenta às questões da clinica e da Psicanálise especialmente preocupada com a preservação de tão importante campo de formação e aplicação, atenta para fazer frente aos movimentos que banalizam a prática psicanalística, e a formação.

Como foi a fundação da SERPIÁ? De onde surgiu o projeto?

Encaro que tive uma participação muito tímida na fundação da SERPIÁ. Anteriormente à SERPIÁ, trabalhei com idéias sobre projetos juntamente com a doutora Maria Carolina Serafim, psiquiatra, e de fato a geradora da concepção SERPIÁ. Ela, juntamente com Ingrid Cadore e Verônica Fleith, deram inicio aos trabalhos com crianças e adolescentes, primeiramente funcionando no Hospital Dom Alberto como citei acima. Com a descontinuidade deste trabalho no Hospital veio a idéia de se criar a ONG. A idéia e o projeto da SERPIÁ são anteriores à fundação da instituição como ONG.

E qual foi a sua participação essa transição, de um projeto para uma ONG?

Minha participação foi mais no sentido de pensar o funcionamento da instituição nos atendimentos. Depois me afastei por algum tempo da SERPIÁ em razão de estar ocupada com a formação do curso de psicologia do Dom Bosco. Quando sai de lá, voltei a ter aos poucos contato com a SERPIÁ. Para mim, a instituição teve um desenvolvimento importante com a direção da doutora Maria Carolina, acompanhada por Verônica Fleith, psicóloga e praticante da Psicanálise, por Regina Titotto Castanharo, terapeuta ocupacional, Ingrid Cadore, educadora brinquedista, Maria Augusta Mendonça, psicóloga e praticante da Psicanálise, e de Suely Poitevin, que deu inicio a trabalhos com projetos de atendimento junto à FAS (Fundação de Ação Social de Curitiba).

Como foi voltar para a SERPIÁ?

Com mudanças de funcionamento diretivo na instituição me vi frente a  demanda para a trabalhar, e estar mais presente com a equipe. Assim, passei a estar mais presente, ouvindo e orientando, outras vezes supervisionando o trabalho, e disto passamos a ter maior implicação, envolvimento dos profissionais e estagiários e mesmo voluntários.  Neste sentido, comecei então a ouvir a equipe interdisciplinar, caminhamos no sentido de manter os serviços e atendimentos, incentivando a abertura de  convênios e projetos. Hoje eu diria que a minha preocupação com a SERPIÁ é cuidar da formação dos profissionais, e dos processos que envolvem a gestão e funcionamento da instituição, permitindo que a mesma siga com sua missão. Propus-me a ser uma facilitadora, na medida do possível, desse trabalho de abertura das questões sobre a formação profissional e a prestação de serviços na área da Saúde Mental.

E como vem sendo essa formação na SERPIÁ?

A equipe da SERPIÁ é muito jovem. É uma equipe que está aprendendo com a intervenção. Então, é uma equipe que ainda está em desenvolvimento. Mesmo aqueles que têm um percurso profissional maior, de alguns anos, diria que também se mantêm em formação. Não existe profissional pronto.

Em que pontos a equipe ainda precisa avançar na produção do conhecimento?

No trabalho, o que se faz é produzir conhecimento. Isso é parte da tal “experiência” Então, precisamos desenvolver a crítica sobre o conhecimento produzido de modo a poder tornar público, compartilhar esse conhecimento.

Como surgiu a Coordenação de Pesquisa e Transmissão de conhecimento?

Eu pedi essa coordenação. Coordenar implica em você ter algum tipo de monitoramento do trabalho, de modo a poder integrar as atividades. Então, coordenar a pesquisa é algo que faz parte da nossa ação e intervenção. O nosso dia-a-dia na clínica é de pesquisa. A formação é uma conseqüência do investimento no trabalho que cada um realiza.

Dentro dessa proposta, como devem funcionar os cursos promovidos pela SERPIÁ?

Os cursos são pensados para que tragam referências para esses jovens profissionais como contribuição para sua formação. O curso não forma, quem se forma é a pessoa, o curso traz, na verdade, referências.

Qual a importância de ter alguém envolvido diretamente com a equipe no Conselho Deliberativo da SERPIÁ?

Estar mais próxima do funcionamento das equipes me dá uma medida para avaliar o andamento e o desenvolvimento da organização como um todo. Isso permite que você possa contar com referências confiáveis para transmitir ao Conselho o que está ocorrendo e que caminhos ou encaminhamentos podemos fazer de modo a manter e sustentar a Missão e a instituição.

E quais serão os desafios da próxima gestão da SERPIÁ, da qual você é vice-presidente?

Oferecer à SERPIÁ vias de sustentar-se por conta própria. O que não significa romper com laços e convênios. Que a prestação de serviços possa atender ao campo público e ao campo privado, de uma forma ampla. Aprendemos na nossa ação, e aprendemos como gerir essa ação. Logo podemos contar a quem nos procurar sobre essa experiência. Assim podemos estar na transmissão. E esse é o valor que adquirimos.

Formado em economia e filosofia, o empresário catarinense Hélio Cadore é um dos principais responsáveis por fazer a SERPIÁ se tornar o que é hoje. Desde 2003, Cadore participou ativamente da gestão da instituição e desde 2007 é presidente do Conselho Deliberativo, o qual ajudou a criar neste mesmo ano. Em 2009, Hélio foi reeleito presidente da instituição.

Confira abaixo a entrevista com Cadore:

Como foi sua trajetória profissional antes de entrar na SERPIÁ?

Minha vida profissional está muito ligada ao SEBRAE. Eu entrei lá em 1974, e depois fui gerente, diretor-técnico e, nos últimos 18 anos, de 1990 a 2007, fui diretor-superintendente do SEBRAE no Paraná. O Sebrae tem um pouco minha cara no Paraná. Eu também fui presidente da Associação Brasileira dos SEBRAEs Estaduais (Abase) – foram dois mandatos da associação, quando tive a oportunidade de liderar o processo inicial da criação da lei geral de micro e pequenas empresas. Isso foi minha vida de 74 a 2007, 33 anos, exatamente a idade de Cristo.

Além disso, você preside também a Vitafrut. Como ela surgiu?

Comecei a Vitafrut em 1996. Sempre desejei ter um negócio, não sou muito calmo, sou agitado, empreendedor e tenho muitas idéias. Não sou muito de fazer os detalhes, mas sou de estimular as pessoas a terem idéias. Tanto no Sebrae como na Abase, tive colaboradores que põem em atividade minhas idéias. Eu motivo grupos, reúno idéias e depois tento trabalhar em cima delas. Sob certo aspecto é o que estamos fazendo aqui na SERPIÁ, criando um direcionamento estratégico aqui para 2009 a 2011, assim como fizemos em 2006, quando desenhamos o que era a missão, os principais fins estratégicos da SERPIÁ. Sempre gosto de fazer esse trabalho em grupo, ninguém faz nada sozinho. A alma das empresas, a alma das instituições é, na verdade, as pessoas. Pessoas com motivação, pessoas que acreditam, pessoas que, acima de tudo, sentem que a entidade também é delas, pois participaram da discussão de seu destino, e isso é fundamental. Isso é a grande diferença de uma empresa ou entidade em que manda quem pode e obedece quem tem juízo e de uma empresa que dá aos colaboradores a oportunidade de se manifestar. Aí eles se sentem co-autores da trajetória da empresa.

E como isso se configura na estrutura da SERPIÁ?

Aqui na SERPIÁ, estamos seguindo a nossa missão com muita facilidade porque, lá atrás, nós construímos juntos a entidade. A equipe técnica incorporou isso, e esse é o diferencial da SERPIÁ. Eu faço meu trabalho, mas sei que meu trabalho está relacionado com o outro, se eu faço meu trabalho sozinho e não converso com o outro, não chegamos ao mesmo resultado. É aquela história: a minha parte não é o todo, mas sem minha parte o todo não se realiza. Essa interdisciplinaridade que acontece aqui na SERPIÁ é uma coisa fantástica e exige cooperação entre todas as pessoas, todos os funcionários.

O mundo empresarial é bastante diferente do terceiro setor. Como foi passar desse ambiente para a SERPIÁ? Por que se dedicar a uma entidade como a SERPIÁ?

Acho que eu tenho uma formação de cooperação, minha família era de muita cooperação. Meu pai tinha pessoas que trabalhavam em nossas propriedades e um ajudava o outro. Essa cultura, essa formação, esse valor de cooperação e solidariedade é muito forte. Acho que tive êxito na vida, pessoas como eu e você são privilegiadas. A vida nos brindou com isso, fazemos parte de uma certa elite. Então nós temos que devolver à vida o que de bom ela nos deu.

E como você chegou à SERPIÁ?

Vi que minha esposa [a também conselheira e educadora brinquedista Ingrid Cadore] participava de um projeto que me chamou atenção. Sempre pensei: o que eu posso fazer para deixar esse mundo melhor? No SEBRAE eu tinha ajudado no apoio de micro e pequenas empresas, criar um ambiente favorável às pequenas empresas, ajudar quem quer montar um negócio. E na vida das pessoas, fora do Sebrae? Pessoas que, como no caso da SERPIÁ, são duplamente excluídas, que são pobres e tem problemas de transtornos psíquicos. Quando vi essa realidade e vi também que tinha uma equipe técnica sem experiência em gestão, pensei: “esse pessoal não vai dar conta. A equipe técnica tem uma imensa competência técnica, mas não vai dar conta da instituição”. Eles são muito competentes na parte técnica, mas para tocar a instituição, temos que ter a visão global. Então pensei: “posso dar uma contribuição na parte de gestão”. Tanto que, desde o início, em 2003, fui tesoureiro. A questão financeira sempre esteve ligada a mim.

E como foi essa contribuição?

Pude ajudar na área em que sou competente, na gestão e na aglutinação de pessoas. Tanto é que quando eu assumi a presidência da SERPIÁ, liderei um processo de mudança do estatuto para que a SERPIÁ fosse mais aberta para a sociedade, tendo um Conselho aberto, um Conselho plural, com diversas pessoas de diversas profissões, e colocando cada vez mais pessoas que tenham esse perfil aberto. Outra coisa na qual eu insisto é que tenhamos como associados pessoas que tenham os mesmos valores, a mesma filosofia da SERPIÁ. Isso é a essência de uma instituição. A gente tem que ter a crença de que podemos mudar essa realidade.

Desde quando você participa do conselho da SERPIÁ?

O conselho foi criado em 2007 quando nós mudamos o estatuto e aí sim eu assumi a presidência, sob essa condição [de que fosse criado o conselho]. Ele foi criado para criar esse contraponto, pois há gente que usa ONGs de maneira espúria. As ONGs sérias tem que se manifestar abertamente, de forma pública.

E quais os avanços desde que o conselho foi criado?

Foram vários avanços. Primeiramente, o direcionamento estratégico e a consolidação do pensamento da SERPIÁ. Segundo: a harmonização dos interesses das equipes e a administração de potenciais conflitos, a evolução para uma coesão da equipe. Hoje vejo uma equipe muito coesa. Outra coisa importante desse período foi a afirmação da SERPIÁ perante a sociedade. Hoje a SERPIÁ é muito conhecida pelo trabalho, pela seriedade e pela competência de sua equipe técnica. Outro ponto: a criação de parcerias fortes, como é o caso da FAS, no atendimento de crianças abrigadas. De novo: graças ao trabalho sério que a SERPIÁ faz. Também houve o fortalecimento do quadro de conselheiros e associados.

Com esses avanços, certamente surgiram novos desafios para a instituição. Quais são esses desafios?

Um deles é evoluir na busca de resultados qualitativos do trabalho que a SERPIÁ presta à sociedade. Resultados que sejam traduzidos em indicadores e divulgados. Também precisamos ampliar a vertente da geração e transmissão de conhecimento, traduzido em mais cursos, ampliando o leque de cursos, destinados tanto à geração de recursos para a SERPIÁ como a transmissão do conhecimento. E o terceiro, buscar novas parcerias e novas fontes de recursos para assegurar a perenidade e a estabilidade financeira da SERPIÁ. E, lógico, tenho uma preocupação pessoal como presidente de ter dentro do quadro de associados e conselheiros pessoas que possam me suceder. Pensar no processo de sucessão no âmbito da presidência, vice-presidência, conselhos, para que a SERPIÁ seja duradoura. As pessoas podem passar, mas a SERPIÁ tem que ser uma entidade crescente e perene. Por isso estou procurando novos associados dentro daquele perfil que já te falei.

Como você vê, no Brasil, a atuação do terceiro setor? A presença de ONGs corruptas atrapalha muito o trabalho das instituições sérias e dedicadas como a SERPIÁ?

O terceiro setor tem muitas entidades extremamente sérias, competentes, que estão realizando um trabalho fantástico. Infelizmente, isso não dá primeira página. Existem, sim, como em todos os setores, quem se aproveite dessas facilidades e até de uma certa falta de fiscalização, para não só criar ONGs para entender interesses pessoais, e não públicos, como também para usar os recursos para finalidades escusas. Agora, com certeza, se for fazer um levantamento em todo o Brasil, a imensa maioria das ONGs está fazendo um trabalho sério.

E como o poder público poderia agir quanto essas ONGs?

O que imagino que seja a solução: exigir de todas transparência, que divulguem seus trabalhos, seus orçamentos, sob pena de não receber recursos. Mas para isso é necessário que elas não sejam entidades de apadrinhados do poder público. O maior desvio são entidades criadas por quem está ligado ao setor público, seja no legislativo ou no executivo, esse tráfico de influência entre o setor público e o privado faz com que prosperem essas instituições.

Como o setor privado se coloca diante das ONGs? É difícil sensibilizar as empresas?

Primeiramente, existem muitas empresas que já tem seus projetos próprios. Via de regra, as grandes empresas estão sensibilizadas para a doação. Agora, há um número muito grande de empresas menos sensíveis a isso tudo. Elas deixam de tirar um recurso que nem é delas, é do governo, que está abrindo mão de uma porcentagem do imposto devido para essas entidades. Agora, em função desses noticiários sobre desvios de recursos, muitos empresários que estavam sensibilizados tem um argumento a mais para não doar.

E a questão da receita? Influencia nesse quadro também?

Estive pessoalmente conversando com a superintendência da Receita Federal e quando houve problemas de empresas que fizeram doações e foram glosados, não foi pela doação em si. Foi por terem feito doações de uma maneira incorreta, diretamente para a empresa e sem passar por um fundo ou conselho, ou porque essas empresas já tinham problemas de outra ordem com a receita federal. Hoje eu não posso doar diretamente e abater do imposto de renda, isso mudou, tenho que passar por um conselho municipal [em Curitiba, é o COMTIBA]. Muita gente fazia recibos falsos e dizia que tinha feito doações para entidades. Por isso a receita, com propriedade, fez isso: o recurso tem que passar por um fundo que então é destinado a uma entidade. A SERPIÁ, por exemplo, mandou um projeto, o conselho do fundo analisou e aprovou, e então ele repassa esses recursos que devem ser aplicados exatamente como diz o projeto. Depois, a entidade presta contas. Aí sim fica redondo. Então não é o modelo que está errado, é a falta de fiscalização.

E o que você recomendaria aos empresários na hora de doar recursos para uma instituição do Terceiro Setor?

Só coloquem recursos em entidades que eles conheçam e das quais eles recebam relatórios, informações e prestação de Contas. No caso da Serpiá, todos os balanços financeiros e relatórios de atividades estão divulgados no seu Site, de forma absolutamente transparente. Mas, não deixem de fazer suas contribuições pois é dessa forma que tantas entidades sérias  do  terceiro setor conseguem executar seu trabalho social. E essas doações dedutíveis do Imposto de Renda estão amparadas na Legislação (Instrução Normativa SRF no.267/02). Essa estória de que a Receita fica de marcação em quem , pessoa física ou jurídica, doa a entidades do terceiro setor, carece de fundamento e é disseminada por pessoas desinformadas ou mal intencionadas.

A SERPIÁ realizará este ano o curso O Tratamento de Crianças e Adolescentes com Sofrimento Psíquico e a Psicanálise. O principal objetivo do curso, voltado para profissionais da saúde mental e educação que trabalham com queixas relacionadas aos efeitos do sofrimento psíquico, é instrumentalizar profissionais clínicos envolvidos no tratamento de crianças e adolescentes com conceitos e abordagens da psicanálise. “O tratamento envolve várias disciplinas e várias especialidades, que muitas vezes podem ser beneficiadas pela leitura psicanalítica do que acontece na clínica”, explica a coordenadora do curso Verônica Fleith.

As aulas serão realizadas quinzenalmente, de abril a dezembro, nas manhãs e tardes dos sábados (das 8h às 12h e das 14h às 18h), começando no dia 18 de abril. As aulas, num total de 120 horas, serão realizadas na sede da SERPIÁ. As inscrições já estão abertas e as vagas são limitadas.

Experiência clínica

Esta será a segunda edição do curso, que antes era chamado de Clínica Psicanalítica com Crianças e Adolescentes. De acordo com Verônica, a mudança de nome ocorreu por que o anterior poderia sugerir que seria feita a formação de psicanalistas, o que não corresponde à proposta do curso.

O curso surgiu a partir de demandas de profissionais que participaram de outros cursos e jornadas promovidos pela SERPIÁ e gostariam de aprender mais com a experiência clínica da instituição. Portanto, assim como no ano passado, as aulas serão ministradas por terapeutas da própria clínica: as psicanalistas Suely Poitevin, Verônica Fleith, Maria Augusta Guimarães e Maria Aparecida Pedrosa, a terapeuta ocupacional Regina Titotto Castanharo, a musicoterapeuta Iara Iarema e a educadora brinquedista Ingrid Cadore. Além disso, estão previstas participações de profissionais convidados.

Serão quinze encontros ao longo do ano, abordando temas como os fundamentos da clínica psicanalítica, a clínica interdisciplinar fundamentada pela psicanálise, a educação e a psicanálise e a constituição do sujeito segundo a psicanálise. Em breve, folder com a programação completa.

Para a turma que participou do curso no ano passado, serão realizados seminários temáticos, que darão continuidade aos temas discutidos pela turma do curso realizado no ano passado. Mais informações em breve.