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Na entrevista abaixo, o psiquiatra José Outeiral, conferencista da III Jornada da Adolescência, fala um pouco sobre os assuntos que serão discutidos no evento. Temas como: agressividade, anti-socialidade e delinquência em contextos sociais de risco, além da ligação desses sintomas à negligência familiar são um dos temas destacados pelo psiquiatra.

Entrevista com José Outeiral

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SERPIÁ realiza dois cursos de brinquedoteca em julho

Sucesso garantido: 96% dos alunos do VIII Curso de Educador Brinquedista se disseram satisfeitos ou muito satisfeitos como o curso. Foto: Cezar Lemos.

De 19 a 23 de julho foi realizado o VIII Curso de Educador Brinquedista, promovido pela SERPIÁ em associação com a ABBri. A semana reuniu palestrantes conhecidos no mundo das brinquedotecas que partilharam seus conhecimentos na área com os 40 alunos inscritos. Para Ingrid Cadore, coordenadora sócio-cultural, o curso tem se caracterizado por discutir a brinquedoteca dentro de contextos específicos, como na educação especial, nos hospitais e nas clínicas interdisciplinares. “A tendência é buscar, cada vez mais, a reflexão sobre a trajetória das brinquedotecas, suas especificidades nos diferentes contextos, com o cuidado de preservar a sua essência, que é a de  acolher as necessidades lúdicas do ser humano de qualquer idade”- conta Ingrid.

O Curso de Formação de Educador Brinquedista SESI/PR, ocorrido entre 26 e 30 de abril, também obteve boa avaliação dos alunos. Foto: Ísis Romankiu.

Na semana seguinte, ocorreu o Curso de Formação de Educador Brinquedista SESI/PR, resultado de uma parceria entre a SERPIÁ e o SESI, em que 50 profissionais da educação infantil vindos de todo o estado participaram. De acordo com Isabel Cristina Ribas, que faz parte da gerência de educação do SESI, a idéia do curso partiu de um interesse da entidade em implementar suas brinquedotecas através da capacitação desses profissionais. “Temos professores da educação infantil e o brincar, o lúdico, faz parte da nossa proposta pedagógica” – explica Isabel.

Segundo com Hélio Cadore, presidente da SERPIÁ, os cursos fazem parte de um dos eixos estratégicos da Associação, que é o da geração e disseminação de conhecimentos. Pondo em prática esse eixo, a SERPIÁ, “executa eventos de formação, como os cursos de Formação de Educadores Brinquedistas e Jornadas” completa Hélio. O presidente aproveita a oportunidade “para cumprimentar toda a equipe SERPIÁ que se envolve com paixão  nesses eventos e agradecer todos os parceiros que confiam na SERPIÁ e acreditam na sua missão”.

O risco será tema da III Jornada da adolescência

A III Jornada da adolescência, que acontecerá nos dias 17 e 18 de setembro no SESC da Esquina, tratará de temas em torno do risco na adolescência, e contará com a presença de José Outeiral. O convidado para o evento, que é médico, psiquiatra, além de especialista em psiquiatria de adultos, adolescentes e crianças, já participou como supervisor em uma das apresentações de caso clínico na SERPIÁ.

A exposição do tema, de acordo com Maria Augusta Guimarães, coordenadora executiva da SERPIÁ, se faz necessária, pois são observados, na prática clínica, fatos recorrentes – que demonstram o tipo de risco a que adolescentes estão expostos.  De acordo com a coordenadora, “envolvimento não somente com drogas, mas também com tráfico, meninas muito jovens grávidas e fazendo abortos, rompantes de violência por motivos banais” são alguns dos acontecimentos que suscitaram a realização da jornada. O evento, dessa forma, tem a intenção de discutir que direção tomar a partir dessas situações e como se pensar em ações articulando a família, a escola e a sociedade.

A jornada será composta de várias mesas redondas que servirão para a interlocução de temas como: interdisciplinaridade no tratamento de adolescentes, relação entre família, adolescentes e o Estado, adolescência vulnerável e a possibilidade de inclusão. Maria Augusta afirma que jornada é voltada “a todos aqueles que de alguma forma trabalham direta ou indiretamente com o público adolescente – como profissionais e estudantes da área da saúde, educação, serviço social, conselhos tutelares e policiais”.

17/09/10 (6ª.-feira):

08:00 Credenciamento
08:30Abertura

  1. Maria Augusta de Mendonça Guimarães – Coordenadora Geral da Associação Serpiá.
  2. Hélio Cadore – Presidente da Associação Serpiá.
  3. Adalberto Carneiro – Gerente Executivo do SESC da Esquina.

09:00Conferência: José Outeiral
10:30Intervalo
11:00Mesa redonda: Interdisciplinaridade no Trabalho com Adolescentes

  1. Construções e Fazeres: uma experiência da Terapia Ocupacional na clinica interdisciplinar
      Marina Siqueira Campos – Terapeuta Ocupacional da Associação Serpiá e do Hospital Nossa Senhora da Luz, educadora brinquedista, técnica em artes cênicas pela Escola Técnica da UFPR.
  2. O Adolescente na Brinquedoteca.
      Ísis Romankiu de Alencar – Graduanda em Pedagogia, educadora brinquedista e responsável pela Brinquedoteca da Associação Serpiá.
  3. Clinica e Tratamento – é possivel com a Psicanálise?
      Maria Aparecida de Luna Pedrosa – Psicóloga, praticante da Psicanálise, mestre em Psicologia Clínica, membro da Associação Brasileira de Foruns do Campo Lacaniano e da Internacional Foruns Campo Lacaniano (Paris), coordenadora de Pesquisa e Transmissão da Associação Serpiá.
  4. Debatedora: Regina Célia Titotto Castanharo – Terapeuta Ocupacional, professora do curso de Terapia Ocupacional da UFPR e Conselheira da Associação Serpiá.

12:30 Almoço
14:00Mesa Redonda: Quando a família é um risco para o adolescente?

  1. Aspectos Jurídicos do Processo de Abrigamento
      Lídia Munhoz Mattos Guedes – Juíza da 1ª. Vara da Infância e Juventude.
  2. Adoção na Adolescência
      Marília Vieira Frederico – Promotora de Justiça da 2ª. Vara da Infância e Juventude.
  3. Sobre Nome de Família
      Suely Poitevin – Psicanalista, coordenadora do Núcleo de Estudos de Família da Associação Serpiá.
  4. Debatedora: Marcia Frassão. Psicóloga, mestre em Psicologia pela UFSC, professora do curso de Psicologia da UFPR.

16:00Intervalo
16:30Conferência: José Outeiral

18/09/10 (sábado):

08:00Mesa redonda: Intervenções na Adolescência

  1. O Espaço da Criação na Clínica com Adolescentes Toxicômanos.
      Márcia Regina Motta. Terapeuta ocupacional da Associação Serpiá e do Hospital San Julian.
  2. Adolescência e Grupo
      Shirley Rialto Sesarino. Psicanalista, professora na PUC-PR, mestre em História pela UFPR.
  3. Programa Atitude – uma experiência com adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
      Clarissa Matos. Psicóloga do Programa Atitude – Secretaria de Estado da Criança e Juventude.
  4. Debatedora: Cassiana Atem. Psicóloga, coordenadora clínica da Associação Serpiá.

10:00Intervalo
10:30Mesa Redonda: Adolescência Vulnerável

  1. Os Rituais na Adolescência – articulações com as tentativas de suicídio.
      Célio Luiz Pinheiro. Psicanalista, mestre em Antropologia Social pela UFPR.
  2. Adolescência e Ficção: uma fenda no tempo.
      Angela M.S. Valore. Psicanalista. Analista-Membro da Association Lacanienne International. Analista-Membro, Membro fundador e presidente da LETRA-Associação de Psicanálise. Professora na UTP e PUC-PR.
  3. O Adolescente em Conflito com a Lei: apontamentos, impasses e direções.
      Lílian Mara Gheno. Psicóloga da Delegacia do Adolescente.
  4. Debatedora: Juratriz Salete Ribas. Psicanalista, membro da Associação Psicanalítica de Curitiba, psicóloga da escola de música DACAPO. Mestre em Ciências da Educação, especialista em saúde mental, psicóloga do CAPSad.

12:30 – Almoço
14:00Mesa Redonda: Possibilidades de Inclusão

  1. A Escola e a Inclusão na Adolescência
      Elise Haquim. Pedagoga, especialista em Educação Especial e Inclusiva, participante do Núcleo de Estudos de Psicanálise e Educação da Associação Serpiá.
  2. O Esporte como Possibilidade de Inclusão ao Adolescente
      Alceu Natal Neto. Membro fundador e primeiro presidente da ONG Futebol de Rua.
  3. O Jovem e a Arte: uma proposta de trabalho em ambiente não formal
      Rudinei Nicola. Educador, coordenador de projetos com juventude do IDDEHA (Instituto de Defesa dos Direitos Humanos).
  4. Debatedor: Danielle Guerra. Fonoaudióloga, especialista em Linguagem Clínica e Escolar, coordenadora do Portal da Inclusão, coordenadora do Projeto de Inclusão Escolar da Associação Serpiá.

16:00 – Intervalo
16:30 – Conferência: José Outeiral
18:00 – Encerramento

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A jornada de estudos Considerações sobre a Função da Família na Contemporaneidade: “Mas, por que eu?”, realizada pela SERPIÁ nos dias 01 e 02 de outubro – com apoio do Conselho Regional de Medicina do Paraná e da Sanepar – reuniu profissionais, estudantes e demais interessados em discutir a temática da família na contemporaneidade.

Durante os dois dias do evento os cerca de 80 inscritos tiveram a oportunidade de participar de mesas, conferências, palestras e momentos culturais que contaram com a presença de profissionais de diversas áreas – psicologia, musicoterapia, direito, entre outras -, o que possibilitou uma discussão plural sobre o tema.

Para o estudante Carlos Esteves essa discussão a partir de diferentes perspectivas foi um dos pontos altos da jornada. A assistente social Karla Patrícia de Albuquerque considera que participar do evento proporcionou aos profissionais a revisão dos conceitos e estratégias que utilizam no trabalho diário com as famílias. “Foi uma oportunidade de refletir sobre a minha prática profissional e sobre o papel das famílias, o que acrescentou muito para mim. Se a gente não tira esse tempo para refletir cai, no automatismo”, comenta a psicóloga Tarine Cláudia de Jesus.

Segundo uma das coordenadoras do evento, Suely Poitevin, a jornada também possibilitou a abordagem de questões inquietantes, como a das famílias das crianças e adolescentes abrigados e a lei que obriga a curta permanência nos abrigos, assim como a transmissão das experiências obtidas no trabalho com as famílias na SERPIÁ.

“As discussões trouxeram muitos questionamentos e relatos de experiências. A ligação entre teoria e prática foi muito interessante, pois a faculdade não traz muito essa discussão prática”, comenta a estudante Thais Renata Miara.

Trabalho recompensado

Para a organizadora, o empenho e dedicação dispensados pela equipe na seleção dos temas, no convite dos palestrantes, e nos demais detalhes que envolveram a organização do evento foi recompensado. “Nós observamos que houve empenho, seriedade e esforço dos palestrantes em transmitir seus conhecimentos e participação e respeito ao evento por parte público”, comenta.

Segundo Suely, a primeira edição da jornada de famílias abriu espaço para maiores discussões sobre este tema complexo e polêmico e a oportunidade para cada pessoa se perguntar qual é o seu papel em relação à família. “Foi uma possibilidade de descruzarmos os braços e cada um fazer a sua parte neste desafio contemporâneo”, enfatiza.

O Núcleo de Psicanálise e Educação da Associação SERPIÁ, em conjunto com o Núcleo de Estudos em Psicanálise e Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizou nos dias 19 e 20 de setembro a II Jornada de Psicanálise e Educação. O tema foi a inclusão escolar e contou com 116 participantes. O evento aconteceu no Anfiteatro 100 da Reitoria da UFPR, em Curitiba.

Para Maria Augusta de Mendonça Guimarães, Coordenadora Executiva e Terapêutica da SERPIÁ, o evento foi um sucesso. “Não só correspondeu nossas expectativas como superou”, conta. Ela afirma que existe muita demanda por parte dos professores para saber como deve ser feita a inclusão escolar e o evento ajudou as pessoas a refletir sobre suas práticas dentro da sala de aula.

Durante os dois dias, foram realizadas cinco mesas redondas e três palestras, duas delas com o psicanalista Fernando Colli, do Grupo Ponte, da Associação Lugar de Vida, de São Paulo. Maria Augusta afirma que o trabalho de Colli e da associação são muito importantes para o tema da inclusão. Desde 1990, o Grupo Ponte providencia tratamento terapêutico para crianças com transtorno psíquico, o que implica em levar essas crianças para o universo escolar.

Além disso, houve exposição dos trabalhos realizados no departamento de Educação da UFPR e nos Núcleo de Estudos de Psicanálise e Educação da SERPIÁ, uma palestra sobre prevenção e detecção dos riscos psíquicos na educação infantil (com a professora da PUC-PR Rosa Maria Marini Mariotto) e uma apresentação do panorama da inclusão escolar no estado.

Para a pedagoga Isis Romankiu, a Jornada foi riquíssima. “É um tema que deve ser bastante discutido, é sempre pertinente”, afirma. De acordo com ela, o evento resgatou a função da escola no processo terapêutico e ajudou a colocar em destaque a criança como sujeito.

O que é inclusão escolar?

Inclusão escolar significa juntar os alunos portadores de necessidades especiais às outras crianças, colocá-los nas mesmas salas sob as mesmas condições de aprendizado. Maria Augusta aponta que esse tema é particularmente importante para os professores: mas de tão recente, eles ainda encontram dificuldades para lidar com esses alunos.

A inclusão escolar propicia às crianças com transtornos psíquicos muito mais do que a simples educação formal. Nas escolas regulares, criam-se laços com a sociedade, o que promove tanto efeitos terapêuticos quanto perspectivas de vida para essas crianças. “A inclusão escolar faz a criança sentir que ela tem um lugar no mundo”, sintetiza Augusta.

Para os professores, esse processo também é importante. Lidar com alunos especiais ajuda-os a se livrar de preconceitos e lidar com as diferenças e potencialidades de cada pessoa. No entanto, é um processo difícil: é preciso discutir esse assunto e aprender com as experiências dos outros professores e psiquiatras para que esse desafio possa ser superado. É por isso que um evento como a Jornada, que estimula a discussão e o aprendizado sobre a inclusão escolar, é tão importante para toda a educação.