Posts Tagged ‘inclusão escolar’

Por Danielle Guerra

Muitas vezes o adulto ouve na fala/escrita da criança algo que não está bem, um sintoma (falar errado, não falar, trocar letras, trocar palavras…) que se desassemelha do “normal”. Na tentativa de entendimento do “erro”, uma medida estatística é implementada – correlacionam-se aquisições esperadas as faixas etárias. Mas isso só esclarece/aponta que a fala da criança está fora do tempo. Alguns erros são toleráveis, outros não. Parece que, nesse sentido, a escuta da fala de um outro é que determina o status da fala (uma escuta que discerne entre erros, para relevá-los ou não).

Se a “faixa etária” que acaba decidindo pelo que não deveria estar mais ocorrendo é porque a fala está em desacordo com o “corpo que fala”, que repete, que não passa para outra coisa (Allouch, 1994).

É certo que o organismo cresce, mas é certo que a idade que se mede, não corresponde ao “tempo do sujeito”, do corpo que fala.

Propomos uma reflexão que leve em conta a articulação singular fala-falante, que parece afetar a escuta – indissociação entre um corpo que fala uma fala e uma fala que fala (d)esse corpo. Repensar a noção de sujeito, linguagem e outro para que se possam oferecer recursos no entendimento das questões relacionadas à aquisição da fala e escrita das crianças.

Por Andressa Mattos

A realização de uma educação inclusiva no contexto atual não é tarefa fácil. A inclusão escolar é um campo que se encontra marcado por imperativos que precisam ser analisados a partir de vários eixos. Um deles refere-se à própria relação que se funda entre a escola e a demanda de inclusão que opera desde o social. Não menos desprovida de dificuldades é a tarefa de um Estado que intenta organizar uma política pública, no empenho de garantia do acesso a todos os seus cidadãos àquilo que lhes cabe por direito.

A educação inclusiva fundamenta-se na concepção de diferenças, algo da ordem da singularidade dos sujeitos, supõe que as diferenças sejam parte de seus estatutos. Como não torná-la, a cada passo, um novo instrumento de classificação, seleção, reduzindo os sujeitos a marcas mais ou menos identitárias de uma síndrome, deficiência ou doença mental?

Pensar as necessidades educacionais de uma criança envolve considerá-la desde um lugar estrutural, que não se restringe ao campo das deficiências, ou dos sintomas que venha a apresentar. Se a criança for vista pelo professor, primordialmente, como sendo alguém que é portadora de desejos, de uma história, os caminhos para a aprendizagem estarão incluindo o que é fundante no ser humano: a palavra.

Não se trata apenas de anunciar a ordem “escola para todos”, mas sim que estes “todos” possam ser registrados em sua singularidade, enquanto sujeitos. As vias que cada um vai colocar em jogo para atravessar o campo da aprendizagem serão marcadas por traços subjetivos. Diante de um mesmo trabalho a ser realizado, todas as crianças colocam em jogo o que há de mais singular em sua constituição: seu desejo, remetido ao desejo do Outro.

Frente a este desafio, como pensar o trabalho do professor tendo em vista a singularidade dos sujeitos? É neste sentido que as contribuições da Psicanálise na interlocução com a Educação entram em jogo. Alguns aspectos destas contribuições serão considerados na aula: O trabalho do professor e o olhar para a singularidade.

A inclusão escolar é um processo importante e legalmente exigido para crianças e adolescentes de nossa sociedade. Quando falamos de crianças com transtornos psíquicos, a importância desse processo cresce, uma vez que a inclusão pode favorecer seu tratamento.

Considerando-se a escola como espaço privilegiado da infância em nossa cultura, entende-se que o processo de inclusão escolar pode favorecer o reconhecimento da criança ou do adolescente com transtornos psíquicos como sujeitos de direitos e deveres dentro de uma comunidade. Além disso, este processo pode promover a (re)inserção da criança/adolescente na trama social (o que é próprio do humano), da qual se supõe ela excluída por razões concretas ou mesmo simbólicas.

No entanto, muitas vezes a permanência destas crianças e adolescentes em turmas de ensino regular é posta em questão por educadores, familiares e sociedade em geral, visto que, com frequência, os alunos considerados casos de inclusão requerem uma atenção maior e mais especializada do professor. Este tipo de trabalho exige do professor não só a transmissão de conteúdos pedagógicos, como também o investimento na integração destes alunos com os colegas e com a instituição escolar em geral. Tais exigências, entre outras, mobilizam questões subjetivas dos profissionais, principalmente acerca do lugar que ocupa como educador. Neste sentido, parece essencial um trabalho que vise apoiar o educador, promover seus questionamentos e construções sobre o assunto, além de contribuir para a sustentação do desejo que o mobiliza em seu trabalho cotidiano. É neste sentido que o Projeto de Inclusão Escolar propõe sua atuação.

Com o projeto de Inclusão escolar de crianças e adolescentes com transtornos psíquicos e/ou problemas em seu desenvolvimento integral, a Associação SERPIÁ, em convênio com a Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS), pretende incluir e favorecer a permanência de 70 crianças, promovendo seu atendimento e acompanhando os educadores neste desafio.

Para atingir esse objetivo, foram criados grupos de interlocução entre os profissionais da SERPIÁ e as equipes pedagógicas das escolas participantes. O projeto estipula ainda que seja promovido um programa de capacitação destes professores, tomando como base e servindo de complemento às experiências vividas neste trabalho precedente.

Saiba mais:

Projeto Original

Aditivo 2008

Atendimento às crianças abrigadas

Atendimento às famílias

Atendimento clínico e socialização

Inclusão escolar

A Associação SERPIÁ realiza o curso “Contribuições da Psicanálise para a Educação”, entre os dias 14 e 26 de novembro. Os alunos podem participar de aulas isoladas ou do curso completo. Para se inscrever, basta preencher o formulário online, e doar um brinquedo para o Natal da SERPIÁ. As palestras serão no Centro de Capacitação da Secretaria Municipal de Educação, na rua Dr. Faivre, 398. Confira a programação completa.

O curso é destinado a profissionais da educação de escolas regulares ou especiais, de todos os níveis de educação básica. É parte do projeto ‘Inclusão escolar de crianças e adolescentes com transtornos psíquicos e/ou problemas em seu desenvolvimento’, desenvolvido pelo Núcleo de Educação e Psicanálise da SERPIÁ em parceria com a Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS).

Serão realizadas aulas expositivas dialogadas e orientações de casos concretos de inclusão escolar. Os objetivos principais são: articular conceitos de teoria psicanalítica e a vivência educativa, discutir sobre os impasses e desafios da inclusão escolar, ressaltar a importância da interdisciplinaridade nas práticas educativas de inclusão e oferecer instrumentos de leitura e interpretação aos impasses vivenciados na educação inclusiva.

Para maiores informações, entre em contato com a SERPIÁ:
Fone: (41) 3015-2045.
E-mail: serpia@serpia.org.br

O Núcleo de Psicanálise e Educação da Associação SERPIÁ, em conjunto com o Núcleo de Estudos em Psicanálise e Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizou nos dias 19 e 20 de setembro a II Jornada de Psicanálise e Educação. O tema foi a inclusão escolar e contou com 116 participantes. O evento aconteceu no Anfiteatro 100 da Reitoria da UFPR, em Curitiba.

Para Maria Augusta de Mendonça Guimarães, Coordenadora Executiva e Terapêutica da SERPIÁ, o evento foi um sucesso. “Não só correspondeu nossas expectativas como superou”, conta. Ela afirma que existe muita demanda por parte dos professores para saber como deve ser feita a inclusão escolar e o evento ajudou as pessoas a refletir sobre suas práticas dentro da sala de aula.

Durante os dois dias, foram realizadas cinco mesas redondas e três palestras, duas delas com o psicanalista Fernando Colli, do Grupo Ponte, da Associação Lugar de Vida, de São Paulo. Maria Augusta afirma que o trabalho de Colli e da associação são muito importantes para o tema da inclusão. Desde 1990, o Grupo Ponte providencia tratamento terapêutico para crianças com transtorno psíquico, o que implica em levar essas crianças para o universo escolar.

Além disso, houve exposição dos trabalhos realizados no departamento de Educação da UFPR e nos Núcleo de Estudos de Psicanálise e Educação da SERPIÁ, uma palestra sobre prevenção e detecção dos riscos psíquicos na educação infantil (com a professora da PUC-PR Rosa Maria Marini Mariotto) e uma apresentação do panorama da inclusão escolar no estado.

Para a pedagoga Isis Romankiu, a Jornada foi riquíssima. “É um tema que deve ser bastante discutido, é sempre pertinente”, afirma. De acordo com ela, o evento resgatou a função da escola no processo terapêutico e ajudou a colocar em destaque a criança como sujeito.

O que é inclusão escolar?

Inclusão escolar significa juntar os alunos portadores de necessidades especiais às outras crianças, colocá-los nas mesmas salas sob as mesmas condições de aprendizado. Maria Augusta aponta que esse tema é particularmente importante para os professores: mas de tão recente, eles ainda encontram dificuldades para lidar com esses alunos.

A inclusão escolar propicia às crianças com transtornos psíquicos muito mais do que a simples educação formal. Nas escolas regulares, criam-se laços com a sociedade, o que promove tanto efeitos terapêuticos quanto perspectivas de vida para essas crianças. “A inclusão escolar faz a criança sentir que ela tem um lugar no mundo”, sintetiza Augusta.

Para os professores, esse processo também é importante. Lidar com alunos especiais ajuda-os a se livrar de preconceitos e lidar com as diferenças e potencialidades de cada pessoa. No entanto, é um processo difícil: é preciso discutir esse assunto e aprender com as experiências dos outros professores e psiquiatras para que esse desafio possa ser superado. É por isso que um evento como a Jornada, que estimula a discussão e o aprendizado sobre a inclusão escolar, é tão importante para toda a educação.

Por Daniel Dias Brepohl

A inclusão escolar é um processo importante, e mesmo legalmente exigido, para crianças e adolescentes de nossa sociedade. Ao se tratarem de crianças com transtornos psíquicos, tal importância cresce na medida em que a inclusão pode favorecer o tratamento das mesmas.

Considerando-se a escola como espaço privilegiado da infância em nossa cultura, entende-se que o processo de inclusão escolar pode favorecer o reconhecimento da criança ou do adolescente com transtornos psíquicos como sujeitos de direitos e deveres dentro de uma comunidade. Além disto, este processo pode promover a (re)inserção da criança/adolescente na trama social (o que é próprio do humano), da qual se supõe ela excluída por razões concretas ou mesmo simbólicas.

No entanto, muitas vezes a permanência destas crianças e adolescentes em turmas de ensino regular é posta em questão por educadores, familiares, e a sociedade em geral, visto que, com freqüência, os alunos considerados casos de inclusão requerem uma atenção maior e mais especializada do professor. Este tipo de trabalho exige do professor não só a transmissão de conteúdos pedagógicos, como também o investimento na integração destes alunos com os colegas e com a instituição escolar, em geral. Tais exigências, entre outras, mobilizam questões subjetivas dos profissionais, principalmente acerca do lugar que ocupa como educador. Neste sentido, parece essencial um trabalho que vise apoiar o educador, promover seus questionamentos e construções acerca do assunto, além de contribuir para a sustentação do desejo que mobiliza o educador em seu trabalho cotidiano. É neste sentido que o Projeto de Inclusão Escolar propõe sua atuação.

Com o projeto de Inclusão escolar de crianças e adolescentes com transtornos psíquicos e/ou problemas em seu desenvolvimento integral, a Associação SERPIÁ, em convênio com a Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS), pretende incluir e favorecer a permanência de 70 crianças, promovendo seu atendimento e acompanhando os educadores neste desafio.

Para atingir esse objetivo, foram criados grupos de interlocução entre os profissionais da SERPIÁ e as equipes pedagógicas das escolas participantes. O projeto estipula ainda que seja promovido um programa de capacitação destes professores, tomando como base e servindo de complemento às experiências vividas neste trabalho precedente.