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A Associação SERPIÁ, em convênio com a Fundação de Ação Social (FAS), oferece o Programa Psicossocial de Atendimento às Famílias das crianças e adolescentes que se encontram em entidades sociais de abrigo. O principal objetivo do projeto é contribuir para a promoção do direito da criança à convivência familiar.
Incentivar o contato com a família faz parte das atividades já desenvolvidas pelas instituições de abrigo, de acordo com o art. 92º do Estatuto da Criança e do Adolescente. Desde 2007, o programa atende 28 famílias, beneficiando diretamente 35 crianças e adolescentes, sendo que, no momento, outras 6 famílias encontram-se em contato.
Para tornar possível a convivência familiar é necessário que os problemas que geraram o afastamento das famílias de origem sejam trabalhados e ressignificados a partir da implicação subjetiva dos familiares. A convivência contribui para a preservação dos vínculos afetivos, mas não necessariamente garante o retorno das crianças a seus lares originais.
Os atendimentos são realizados de forma interdisciplinar nas áreas de Serviço Social, Psicologia, Musicoterapia, Terapia Ocupacional e Educação Brinquedista, sendo todas as atividades permeadas pela linguagem, redimensionando a singulariedade de cada caso em seu contexto familiar.
De acordo com dados de uma pesquisa de 2006 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), são 80 mil crianças e adolescentes abrigadas em todo o Brasil. Destas, 13,3% são órfãos, o que significa que as outras 72 mil que estão abrigadas em casas-lares, 86,7% do total, têm uma família. As causas dos abrigamentos têm as mais variadas origens, tais como: violência, envolvimento dos familiares com álcool ou drogas e outras situações que colocam a criança em risco.
Saiba mais:
A instituição que trabalha com a clínica psicanalítica de crianças e adolescentes tem a possibilidade de incluir os pais desde o início do tratamento. Tal inclusão permite ver como os pais revivem e projetam nos filhos situações mal resolvidas que envolvem suas identificações e suas castrações simbólicas. É nesta medida que a psicanálise considera que o sujeito se constitui a partir de identificações com as figuras primitivas advindas das primeiras relações. Assim, muitas perturbações destas relações podem estar na origem dos transtornos mentais.
Portanto, a ênfase deste atendimento está em escutar a palavra dos pais sobre a situação familiar, conhecendo qual a posição que o pai e a mãe ocupam no contexto familiar e de que forma a criança está submetida a lei paterna.
Percebemos através de nossa prática com crianças que a inclusão dos pais no tratamento é um ponto de sustentação fundamental para a compreensão dos casos e para a definição da direção a ser adotada no processo terapêutico. É notório que, quando os pais se encontram distanciados demais do tratamento da criança, não demonstrando implicação e responsabilização pelos sintomas dos filhos, isso acaba gerando problemas na condução do caso clínico. Portanto, faz-se necessário pensar nos motivos e nas possíveis soluções para se manejar essas questões. Assim, estudar as diferentes abordagens de trabalho com os pais, bem como alguns autores que se dedicam a teorizar esse trabalho, torna-se tarefa fundamental para quem se propõe a atender crianças, seja no âmbito da clínica particular, seja no âmbito institucional.
Os encontros do núcleo são realizados semanalmente na SERPIÁ e têm duração de uma hora, nos quais os estudos são realizados através de textos de diferentes autores, discussão de casos clínicos e troca de experiências entre os componentes do grupo. Essa reunião é realizada na sexta-feira, às 17 horas.
Além disso, o núcleo cuida do Programa Psicossocial de Atendimento às Famílias das Crianças e Adolescentes que se Encontram em Entidades de Abrigo, realizado em parceria com a FAS.
Participantes:
Márcia Regina Motta
Thomas Rodolfo Brenner
Responsável pelo núcleo: Suely do Rocio K. Poitevin
Na SERPIÁ, o desenvolvimento das questões acerca da saúde mental ganha forma também nos núcleos de estudo. Os núcleos são pensados através das questões que emergem do atendimento clínico, assim como das situações relativas ao nosso meio sócio-cultural. A participação nos núcleos é aberta a qualquer integrante da equipe SERPIÁ.
A Inclusão dos Pais no Tratamento Psicanalítico de Crianças/Adolescentes
A jornada de estudos Considerações sobre a Função da Família na Contemporaneidade: “Mas, por que eu?”, realizada pela SERPIÁ nos dias 01 e 02 de outubro – com apoio do Conselho Regional de Medicina do Paraná e da Sanepar – reuniu profissionais, estudantes e demais interessados em discutir a temática da família na contemporaneidade.
Durante os dois dias do evento os cerca de 80 inscritos tiveram a oportunidade de participar de mesas, conferências, palestras e momentos culturais que contaram com a presença de profissionais de diversas áreas – psicologia, musicoterapia, direito, entre outras -, o que possibilitou uma discussão plural sobre o tema.
Para o estudante Carlos Esteves essa discussão a partir de diferentes perspectivas foi um dos pontos altos da jornada. A assistente social Karla Patrícia de Albuquerque considera que participar do evento proporcionou aos profissionais a revisão dos conceitos e estratégias que utilizam no trabalho diário com as famílias. “Foi uma oportunidade de refletir sobre a minha prática profissional e sobre o papel das famílias, o que acrescentou muito para mim. Se a gente não tira esse tempo para refletir cai, no automatismo”, comenta a psicóloga Tarine Cláudia de Jesus.
Segundo uma das coordenadoras do evento, Suely Poitevin, a jornada também possibilitou a abordagem de questões inquietantes, como a das famílias das crianças e adolescentes abrigados e a lei que obriga a curta permanência nos abrigos, assim como a transmissão das experiências obtidas no trabalho com as famílias na SERPIÁ.
“As discussões trouxeram muitos questionamentos e relatos de experiências. A ligação entre teoria e prática foi muito interessante, pois a faculdade não traz muito essa discussão prática”, comenta a estudante Thais Renata Miara.
Trabalho recompensado
Para a organizadora, o empenho e dedicação dispensados pela equipe na seleção dos temas, no convite dos palestrantes, e nos demais detalhes que envolveram a organização do evento foi recompensado. “Nós observamos que houve empenho, seriedade e esforço dos palestrantes em transmitir seus conhecimentos e participação e respeito ao evento por parte público”, comenta.
Segundo Suely, a primeira edição da jornada de famílias abriu espaço para maiores discussões sobre este tema complexo e polêmico e a oportunidade para cada pessoa se perguntar qual é o seu papel em relação à família. “Foi uma possibilidade de descruzarmos os braços e cada um fazer a sua parte neste desafio contemporâneo”, enfatiza.
Por Maria Augusta de Mendonça Guimarães
Na clínica psicanalítica, a angústia coloca o analista frente a um tema complexo e já muito discutido, que ainda mobiliza questões para aqueles interessados no estudo da psicanálise. Tanto Freud quanto Lacan debruçaram-se sobre esse assunto, bastante freqüente em suas obras, quer em textos específicos ou articulado com outros temas. Freud fez algumas modificações ao longo do tempo em relação à definição de angústia, e Lacan acrescentou valiosas contribuições, relacionadas principalmente à relação angústia – objeto.
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