Para celebrar a Páscoa desse ano, a SERPIÁ decidiu fazer uma semana especial na brinquedoteca. Ao invés de uma só festa, todos os expedientes foram marcados pela visita do Coelhinho. “A idéia é trabalhar a Páscoa como um tema lúdico através das brincadeiras”, explica a educadora brinquedista Lídia Volpato. A celebração da Páscoa começou na quinta-feira (2), e foi até a quarta-feira (8), último dia antes do feriado. Dessa maneira, todos os expedientes foram contemplados.

“A nossa proposta é criar um espaço de integração, já que temos pacientes, pais e educadores novos nesse começo de ano”, afirma Lídia. “Além disso, tentamos tentar entender também o que eles entendem por Páscoa”.

“A festa estava bem criativa, deu oportunidade para as crianças fazerem coisas que não podem fazer em casa”, conta Rosanda Camargo Araújo, mãe de um paciente da clínica. Para ela, esses momentos são importantes no tratamento de seu filho. “Em casa, somos só adultos. Aqui ele vivencia algo diferente”, afirma.

A importância das festas

A coordenadora sócio-cultural da SERPIÁ Ingrid Cadore ressalta que, dentro do plano terapêutico da instituição, as festas têm um papel importantíssimo. “Entre as diversas funções de uma festa está a inserção social”, explica. De acordo com Ingrid, muitos dos pacientes da clínica têm dificuldades de interagir socialmente, devido ao sofrimento psíquico, e esse espaço de inserção mediado por educadores brinquedistas pode trazer muitos avanços terapêuticos para esses pacientes. “Além disso, as festas permitem ludicidade e transmissão de afeto. Tudo o que é feito nesse sentido tem um fim terapêutico”, afirma.

O resgate do valor das celebrações também é considerado importante para a equipe da brinquedoteca da SERPIÁ. “As festas estão muito descaracterizadas, e os pacientes estão em contato com esse aspecto consumista”, explica Ingrid. “Esse resgate da ludicidade seria, portanto, é uma forma de não deixar os pacientes à mercê do consumo”.

Bolo mordido

Esse resgate da ludicidade e dos valores da Páscoa permeia muitas das atividades desenvolvidas, como, por exemplo, o bolo do coelhinho. Com o auxílio de educadores brinquedistas, pais e educadores sociais, as crianças de alguns expedientes prepararam um bolo para Coelhinho da Páscoa. “Assim favorecemos uma experiência onde as crianças, além de receber [os chocolates], também poderão oferecer algo”, conta Lídia.

Em um dos expedientes, o bolo apareceu mordido. “As crianças ficaram animadas, dizendo ‘o coelhinho mordeu o bolo, o coelhinho mordeu o bolo’”, conta a psicóloga Michele Gonçalves Vidal, voluntária da brinquedoteca. “Foi um momento bem marcante”.

Além disso, dentro da proposta estava ouvir o que as crianças queriam para a Páscoa. Portanto, as atividades seguiram em boa parte os pedidos das crianças. “Não é a quantidade de ovos de chocolate, mas emoção de ser co-autora de uma celebração que alegra as crianças”, explica Ingrid. Um grupo de pacientes, inclusive, fez um pedido bastante singelo: a mesma festa que tiveram na Páscoa passada. “Isso prova que a lembrança estava viva, as crianças quiseram ‘viver de novo’ como presente de Páscoa”, comenta.

Leave a Reply