O Núcleo de Psicanálise e Educação da Associação SERPIÁ, em conjunto com o Núcleo de Estudos em Psicanálise e Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizou nos dias 19 e 20 de setembro a II Jornada de Psicanálise e Educação. O tema foi a inclusão escolar e contou com 116 participantes. O evento aconteceu no Anfiteatro 100 da Reitoria da UFPR, em Curitiba.
Para Maria Augusta de Mendonça Guimarães, Coordenadora Executiva e Terapêutica da SERPIÁ, o evento foi um sucesso. “Não só correspondeu nossas expectativas como superou”, conta. Ela afirma que existe muita demanda por parte dos professores para saber como deve ser feita a inclusão escolar e o evento ajudou as pessoas a refletir sobre suas práticas dentro da sala de aula.
Durante os dois dias, foram realizadas cinco mesas redondas e três palestras, duas delas com o psicanalista Fernando Colli, do Grupo Ponte, da Associação Lugar de Vida, de São Paulo. Maria Augusta afirma que o trabalho de Colli e da associação são muito importantes para o tema da inclusão. Desde 1990, o Grupo Ponte providencia tratamento terapêutico para crianças com transtorno psíquico, o que implica em levar essas crianças para o universo escolar.
Além disso, houve exposição dos trabalhos realizados no departamento de Educação da UFPR e nos Núcleo de Estudos de Psicanálise e Educação da SERPIÁ, uma palestra sobre prevenção e detecção dos riscos psíquicos na educação infantil (com a professora da PUC-PR Rosa Maria Marini Mariotto) e uma apresentação do panorama da inclusão escolar no estado.
Para a pedagoga Isis Romankiu, a Jornada foi riquíssima. “É um tema que deve ser bastante discutido, é sempre pertinente”, afirma. De acordo com ela, o evento resgatou a função da escola no processo terapêutico e ajudou a colocar em destaque a criança como sujeito.
O que é inclusão escolar?
Inclusão escolar significa juntar os alunos portadores de necessidades especiais às outras crianças, colocá-los nas mesmas salas sob as mesmas condições de aprendizado. Maria Augusta aponta que esse tema é particularmente importante para os professores: mas de tão recente, eles ainda encontram dificuldades para lidar com esses alunos.
A inclusão escolar propicia às crianças com transtornos psíquicos muito mais do que a simples educação formal. Nas escolas regulares, criam-se laços com a sociedade, o que promove tanto efeitos terapêuticos quanto perspectivas de vida para essas crianças. “A inclusão escolar faz a criança sentir que ela tem um lugar no mundo”, sintetiza Augusta.
Para os professores, esse processo também é importante. Lidar com alunos especiais ajuda-os a se livrar de preconceitos e lidar com as diferenças e potencialidades de cada pessoa. No entanto, é um processo difícil: é preciso discutir esse assunto e aprender com as experiências dos outros professores e psiquiatras para que esse desafio possa ser superado. É por isso que um evento como a Jornada, que estimula a discussão e o aprendizado sobre a inclusão escolar, é tão importante para toda a educação.

