A Jornada de estudos a inclusão escolar, um diálogo possível entre o terapêutico e a educação, contou com conferencias de Maria Cristina Kupfer, professora livre docente da USP e mesas de debates sobre as temáticas No evento, 154 profissionais e estudantes das áreas da educação e saúde puderam acompanhar as mesas de discussões e interagir com os palestrantes.
Abaixo, separados por tópicos estão as considerações finais da psicanalista Verônica Fleith sobre as questões levantas no decorrer do encontro.
Foram feitas considerações acerca de quando o fracasso escolar é engendrado por um discurso;
Muitas falas abordaram a angústia, a perplexidade, às vezes até uma ligeira despersonalização que se pode viver diante dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento. Afetos que podem gerar saberes/técnicas que almejam funcionar como uma “armagassa” para fechar todos os buracos. A criança aí é um objeto do saber.
Destituição subjetiva pode permitir o acolhimento do não-saber.
Falou-se da importância da escola (especial e regular) na Inclusão: para inserir a criança no discurso social acerca da infância; mas não como redentora.
Dificuldades da Inclusão são maiores quando não há engajamento dos professores e serviços especializados de apoio, que possam funcionar como uma rede de sustentação simbólica. Também apontou-se para os impasses na formulação de políticas públicas que integrem ações da saúde com a educação.
A importância da arte, dos recursos lúdicos, da brinquedoteca no contexto escolar, como favorecedores não somente de expressões catárticas, mas podendo oferecer um campo estruturado que permite elaborações e intervenções.
Como favorecer condições para que na formação dos profissionais possa haver o olhar em torno das questões da subjetividade?
A importância do diálogo, da interlocução, da aproximação das diversas linguagens para se chegar mais perto de “Quem é esta criança? O que ela está tentando me dizer?” Mesmo que isso não signifique que todos precisem transformar-se em terapeutas da criança. Quando não esquecemos as especificidades de cada um, cada um pode ser autor de seu trabalho e ter criatividade nas suas práticas.
Que diante de cada sujeito, perceba-se as diversas modalidades de relação ao saber, ao simbólico. Importa perceber as diversas portas que aí possam se abrir / ou se fechar na relação ao outro.
Como a educação pode ser terapêutica? Quando cria bordas, quando instaura a Lei, quando oferece elementos para aliviar a angústia, mesmo que não elimine o mal-estar.
A importância da escrita na educação terapêutica.
Os limites da educação. Educa-se até onde as modalidades de gozo permitem. “Escola ligeiramente chata”.
Quando tratar é diferente de educar. Quando diante de uma criança, onde o Outro, a educação já inscreveu uma matriz simbólica, mas algo transborda, quando há sintoma. Trata-se o ineducável, mas não visando uma reeducação.
A importância da supervisão, alguém que funcione como um terceiro, que ouça os saberes de referência, se na Instituição há ou não circulação da palavra, e os fenômenos de grupo presentes nas instituições (o mito do Pai, as identificações imaginárias, a segregação).
Falar em Inclusão na diversidade requer muitos investimentos necessários, que são caros e queridos, mas muitas vezes contrários à satisfação.

